Pensei num tema em tríade, em mais um tema desses. Repetido mesmo, tudo bem. Eu não me importo e você? Se volta por aqui, também não.
Pensei num tema que tivesse liberdade, ousadia e cheques pré-datados, mas me senti preso, castrado e afogado em contas atrasadas. Concluí que não serei mais livre, já não me passa mais a ideia de fugir dos meus pensamentos. Ousado só é mesmo quando imito o Rafiki, o macaco do rei leão, pendurado nos ferros do metrô.
Vivo flutuando, todo mundo vive. Astronautas sem olhos que flutuam na esperança de tocar o dia seguinte e que esse dia seja o dia que a gente fica milionário, feliz e realizado. Eu flutuo, mas de cansaço. Cansado do discurso, da inteligência, dos custos e dos prazos.
Pensei num tema em tríade que fosse prático, que te tirasse da inércia, te botasse no chão. Um tema que tivesse crença, luta e liberdade. Concluí que o relógio é mais doido que o Sol e foi a ditadura que a minha geração viveu. É estranho achar que se é livre no mundo dos crediários.
Concluí que limitado é uma variável e alcance nem sempre é onde chega meus braços. Só daí percebi que uso todos meus dias pra não deixar que flutue sem olhos, em uma era que a gente ainda pode usar ousadia, crença e luta numa única frase.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Livros, discos e poeira no armário
segunda-feira, 13 de junho de 2011
0
As vezes é preciso ver de novo. As vezes é preciso ver mil vezes e tem as tantas outras vezes que é melhor nem ver. Coleciono discos na estante, cada temporada é um novo. Depois cansa, como tanta gente que passa nas nossas vidas, depois cansa.
Daí deixo eles descansarem na estante, ao lado dos livros que veem junto das temporadas. Reparou? A vida é cheia de temporadas, das fases e dos altos e baixos. Se sacar tem trilha sonora pra mocinha da viela, tem poema pras Anas e Lucimaras, tem discos e discos que são recheados das palavras desses livros e neles os dias que a gente vai levando.
Quase sempre a gente ouve as músicas até rachar, looping eterno pros refrões e muito fôlego, pra rima não ficar sem graça e os versos repetidos.
Depois, a gente cansa. E eles descansam ao lado dos livros.
Quase sempre minha estante fica repleta de poeira, porque a vida corre rápido e a gente não tem tempo pra isso, pra lustra móveis, pra Poliflor com cheirinho de Lavanda. Mas não tem jeito, tem vezes que é preciso voltar lá e por tudo em ordem. Os discos voltam pro tocador, os livros voltam a ser lidos e reviver as temporadas é efeito colateral que atinge o estômago sem nenhum rancor. Solto o riso, lembro das Anas e das Lucimaras e é isso.
No fim nunca gosto disso, de reler os livros e nem de ouvir os velhos discos. No fim é reviver de forma intensa demais coisa que não faz mais sentido. Fico feliz de ter uma trilha sonora pra mocinha da viela, mas me dá ânsia quase que sentir nos pés o frio daqueles paralelepípedos.
No fim a vida corre demais e a gente não tem tempo, pra Poliflor cheirinho de lavanda.
Daí deixo eles descansarem na estante, ao lado dos livros que veem junto das temporadas. Reparou? A vida é cheia de temporadas, das fases e dos altos e baixos. Se sacar tem trilha sonora pra mocinha da viela, tem poema pras Anas e Lucimaras, tem discos e discos que são recheados das palavras desses livros e neles os dias que a gente vai levando.
Quase sempre a gente ouve as músicas até rachar, looping eterno pros refrões e muito fôlego, pra rima não ficar sem graça e os versos repetidos.
Depois, a gente cansa. E eles descansam ao lado dos livros.
Quase sempre minha estante fica repleta de poeira, porque a vida corre rápido e a gente não tem tempo pra isso, pra lustra móveis, pra Poliflor com cheirinho de Lavanda. Mas não tem jeito, tem vezes que é preciso voltar lá e por tudo em ordem. Os discos voltam pro tocador, os livros voltam a ser lidos e reviver as temporadas é efeito colateral que atinge o estômago sem nenhum rancor. Solto o riso, lembro das Anas e das Lucimaras e é isso.
No fim nunca gosto disso, de reler os livros e nem de ouvir os velhos discos. No fim é reviver de forma intensa demais coisa que não faz mais sentido. Fico feliz de ter uma trilha sonora pra mocinha da viela, mas me dá ânsia quase que sentir nos pés o frio daqueles paralelepípedos.
No fim a vida corre demais e a gente não tem tempo, pra Poliflor cheirinho de lavanda.
domingo, 12 de junho de 2011
Feliz dia dos Namorados!
domingo, 12 de junho de 2011
0
Não sei se sempre serei eficiente assim, mas hoje ao pensar na data foi isso que saiu...
Você caro amigo que ainda não disse nada de muito romântico para sua digníssima, sinta-se a vontade de roubar e dizer que é seu! Hoje está liberado!
Queria ter milhares de coisas pra falar
Cantar sua beleza, a alegria de ter você
Queria inventar palavras e expressões
Pra me convencer e a você...
Quero! As horas em que não te vi
Os anos que passei sem te conhecer!
Quero inventar histórias, contar causos
Onde a heroína a ser salva era você,
e eu herói atrapalhado a te salvar!
Queria ter mais certezas pra dizer
Saber sobre a vida, sobre mim e você
Te falar dos sorrisos que me tirou
Das vezes em que não estava bem e te liguei
Do favor que me faz ao ficar comigo
Da vontade que tenho de te agarrar...
Das horas passadas entre seus beijos
Dos dias em que fiquei só no desejo
Dai que, sendo assim, fica até pouco só dizer:
Feliz dia dos namorados pra você!
Você caro amigo que ainda não disse nada de muito romântico para sua digníssima, sinta-se a vontade de roubar e dizer que é seu! Hoje está liberado!
Queria ter milhares de coisas pra falar
Cantar sua beleza, a alegria de ter você
Queria inventar palavras e expressões
Pra me convencer e a você...
Quero! As horas em que não te vi
Os anos que passei sem te conhecer!
Quero inventar histórias, contar causos
Onde a heroína a ser salva era você,
e eu herói atrapalhado a te salvar!
Queria ter mais certezas pra dizer
Saber sobre a vida, sobre mim e você
Te falar dos sorrisos que me tirou
Das vezes em que não estava bem e te liguei
Do favor que me faz ao ficar comigo
Da vontade que tenho de te agarrar...
Das horas passadas entre seus beijos
Dos dias em que fiquei só no desejo
Dai que, sendo assim, fica até pouco só dizer:
Feliz dia dos namorados pra você!
sábado, 11 de junho de 2011
Bom mesmo!
sábado, 11 de junho de 2011
1
Bom mesmo é cerveja!
Não adianta vim falar
Tempera as conversas e a vida!
Bom mesmo é boteco!
Pra rir e convensar
Queria ter boteco todo dia!
Bom mesmo é amizade!
Pra te compreender te ajudar
Não ter amigos perto é minha fobia!
Bom mesmo é o amor!
Pra beijar e abraçar!
E eu quero tudo que é bom ao mesmo tempo!
E não quero deixar o tempo passar...
Não adianta vim falar
Tempera as conversas e a vida!
Bom mesmo é boteco!
Pra rir e convensar
Queria ter boteco todo dia!
Bom mesmo é amizade!
Pra te compreender te ajudar
Não ter amigos perto é minha fobia!
Bom mesmo é o amor!
Pra beijar e abraçar!
E eu quero tudo que é bom ao mesmo tempo!
E não quero deixar o tempo passar...
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Dividendos ou o troco da auto-estima.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
2
O relógio toca, quase sempre me atraso.
Levo uma vida de bom moço
e sinto culpa por encarar os dias assim.
Tá certo que cansa ser falido,
nesse mundo dos vencedores e bem sucedidos.
Mas não nasci pra isso.
É como trair o espirito.
Estou perdendo os dias
e aceitando a condição.
Levo uma vida de bom moço
e sinto culpa por encarar os dias assim.
Tá certo que cansa ser falido,
nesse mundo dos vencedores e bem sucedidos.
Mas não nasci pra isso.
É como trair o espirito.
Estou perdendo os dias
e aceitando a condição.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Sedentos por mais viver
quinta-feira, 9 de junho de 2011
0
Tempo e vento: cruel mistura!
Que desfaz amores e montanhas
Destrói nossos corpos e sabores
E deixa em nós a saudade e a falta
Somos restos das estrelas
Esperando nosso tempo acabar
Somos amores perdidos
Esperanças despedaçadas
Que ainda vivos e sorridentes
Ficamos pelo mundo, fingindo não sofrer
Mas a dor é o que nos faz mais vivos
Vivos e sedentos por mais amor, por mais viver
E se puder pedir, e um só desejo tiver
Quero sim sofrer, pra me levantar feliz
Quero cair, em lágrimas me desfazer
Pra ter vontade de ter sempre mais!
O maior tesão que se deve ter
deve ser o tesão por continuar!
Que desfaz amores e montanhas
Destrói nossos corpos e sabores
E deixa em nós a saudade e a falta
Somos restos das estrelas
Esperando nosso tempo acabar
Somos amores perdidos
Esperanças despedaçadas
Que ainda vivos e sorridentes
Ficamos pelo mundo, fingindo não sofrer
Mas a dor é o que nos faz mais vivos
Vivos e sedentos por mais amor, por mais viver
E se puder pedir, e um só desejo tiver
Quero sim sofrer, pra me levantar feliz
Quero cair, em lágrimas me desfazer
Pra ter vontade de ter sempre mais!
O maior tesão que se deve ter
deve ser o tesão por continuar!
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Nasci de uma vontade estranha
quarta-feira, 8 de junho de 2011
1
Nasci de uma vontade estranha,
uma vontade que faz eu sair de casa nesses dias odiáveis.
Insisto na ideia de sumir, nessas festas de gente esquisita.
Procuro um método de eternizar as visões distorcidas,
que tenho quando estou possuído de ópio.
E acho isso tão normal, com a mesma neutralidade
que você responde aos bom dias de desconhecidos.
E acho isso tão assustador,
como as vezes que me pego escondendo versos secretos [e mentirosos.]
Nasci de uma vontade estranha,
que faz eu ser um eterno insatisfeito.
E acho isso tão normal,
na medida que você me chama de assustador.
uma vontade que faz eu sair de casa nesses dias odiáveis.
Insisto na ideia de sumir, nessas festas de gente esquisita.
Procuro um método de eternizar as visões distorcidas,
que tenho quando estou possuído de ópio.
E acho isso tão normal, com a mesma neutralidade
que você responde aos bom dias de desconhecidos.
E acho isso tão assustador,
como as vezes que me pego escondendo versos secretos [e mentirosos.]
Nasci de uma vontade estranha,
que faz eu ser um eterno insatisfeito.
E acho isso tão normal,
na medida que você me chama de assustador.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Coletivo Um Nove - Condicionado
terça-feira, 7 de junho de 2011
2
Tem a liberdade de escrever
Tem a liberdade de pensar
Que só as amarras da mente
Fortes e potentes, podem nos limitar
Nós somos poços de vontades
O ar-condicionado/ser-humano condicionado
Enganando-se sobre as portas abertas,
sobre vento frio que vence as janelas.
Crente em ser senhor e livre das amuletas.
Erro de servo menor, doutrinado e inofensivo,
refém das suas ideias viciantes,
cumplice dos desvios da humanidade.
Mas eu vejo chegar o dia
Em que será absurdo não viver
Em que chacoalhar nos coletivos
Morrer em escritórios de ar-condicionado
Será passado e perdido...
Cegos do instinto que move nossos desejos,
Alucionados os espíritos que querem sangue quente.
verossímil está o câncer pungente,
que estimulará nossa sede de deixar legados.
Legados livres, libertinos e sedentos.
Sedentos de liberdade.
Tem a liberdade de pensar
Que só as amarras da mente
Fortes e potentes, podem nos limitar
Nós somos poços de vontades
O ar-condicionado/ser-humano condicionado
Enganando-se sobre as portas abertas,
sobre vento frio que vence as janelas.
Crente em ser senhor e livre das amuletas.
Erro de servo menor, doutrinado e inofensivo,
refém das suas ideias viciantes,
cumplice dos desvios da humanidade.
Mas eu vejo chegar o dia
Em que será absurdo não viver
Em que chacoalhar nos coletivos
Morrer em escritórios de ar-condicionado
Será passado e perdido...
Cegos do instinto que move nossos desejos,
Alucionados os espíritos que querem sangue quente.
verossímil está o câncer pungente,
que estimulará nossa sede de deixar legados.
Legados livres, libertinos e sedentos.
Sedentos de liberdade.
sábado, 4 de junho de 2011
Não pensei num nome...
sábado, 4 de junho de 2011
0
Dos medos justificados eu sorri
Da seriedade dos dias cinzentos eu fugi
Passei os melhores dias ao vento
Entre as putas e os seres sem lamento.
Corri entre os carros, perdido
Morri nas noites de altas doses
Chorei pelos corpos e nos copos
Sem medo te beijei as dores e chagas
Sobre os escuros escombros da noite
Sobre as marquises de medo e loucura
Durante todas as fases da lua...
Eu te vi, te senti, te amei
Da seriedade dos dias cinzentos eu fugi
Passei os melhores dias ao vento
Entre as putas e os seres sem lamento.
Corri entre os carros, perdido
Morri nas noites de altas doses
Chorei pelos corpos e nos copos
Sem medo te beijei as dores e chagas
Sobre os escuros escombros da noite
Sobre as marquises de medo e loucura
Durante todas as fases da lua...
Eu te vi, te senti, te amei
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Dois quadros pro meu filme feliz
sexta-feira, 3 de junho de 2011
1
Se faz poesia quando se tem felicidade?
Fechado pra balanço!
Só escrevo quando voltar,
do seu quarto,
do bar,
da rua.
Da aurora que esconde as nossas faces,
quando eu voltar,
porque eu fui longe.
E hoje eu não quero voltar!
Fechado pra balanço!
Só escrevo quando voltar,
do seu quarto,
do bar,
da rua.
Da aurora que esconde as nossas faces,
quando eu voltar,
porque eu fui longe.
E hoje eu não quero voltar!
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Sou só eu...
quinta-feira, 2 de junho de 2011
0
De sonhos, isso mesmo
Queria ser um pote de sonhos,
os que a gente pode viver
e os que só podemos sonhar...
Queria ter todas as dores,
Pra ter todas as lágrimas.
Ter um monte de sorrisos
Um colar e várias certezas
Desejei ser tudo que pudesse
Mas hoje, nesse frio, sou só eu.
Queria ser um pote de sonhos,
os que a gente pode viver
e os que só podemos sonhar...
Queria ter todas as dores,
Pra ter todas as lágrimas.
Ter um monte de sorrisos
Um colar e várias certezas
Desejei ser tudo que pudesse
Mas hoje, nesse frio, sou só eu.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
31 dias e o complexo de Teseu
quarta-feira, 1 de junho de 2011
2
Se foram os 31 dias de muita baboseira por aqui, sinto que nunca escrevi tanto na vida e isso me pareceu um bom hábito. Revivi cada palavra e num sopro as dei de graça. Meias palavras doentes de caras que não sabem onde por a vírgula e que rima boa nem sempre é dos repentistas. Assim foram os dias, de caras que pensam que são mais fortes do realmente são e que reduzem afetos em versos truncados, errados e instintivos.
Longe das academias e letrados se escreve de um jeito estranho, decadente e aleatório. Triste como o relógio e alucinante como guiar uma moto a muitos kilometros por hora. E isso tem algo de belo. Não nos reduza a comparações absurdas, não seremos pomposos na escrita, nem novos gênios da literatura.
E isso tem algo de belo, mesmo esses versos equivocados, destreinados e urgentes. São belos!
Para entender a beleza é preciso questiona-lá. É muito fácil achar belo um quadro de Van Eyck, qualquer um acha. O rigor técnico é surpreendente e chamem de talento o que mais quiser chamar, seus quadros assustam tanto como um Jesus de ferida aberta feita pelo Caravaggio. Beethoven é conhecido até hoje por criancinhas e por caras que não entendem nada de música clássica - como eu. Mas sempre nos deparamos com um abismo que divide esses caras a nós. Inevitável é se surpreender pela obra e achar que nunca seremos capazes de fazer tal feito. Reduzir fronteiras e chegar num ponto secreto é muito mais belo que o rigor técnico quase que exibicionista de muitos artistas. Tocar sem usar as mãos é mais uma para a coleção de mistérios da vida.
Certa vez vi os olhos de um matemático observando a solução de suas três folhas de cálculos. Via o caminho que acabará de percorrer, mesmo atônico soltava um riso vitorioso. Desvendava entre suas derivadas duplas e integrais um dilema. Acabará de se apaixonar. E achava aqueles rabiscos, números, xis e alfas o mais belo dos monumentos. Achava belo pois passou a entender. Compreendeu os sistemas complexos e dado o instante que soube interpretar e desvendar os mistérios viu a beleza e profundidade que esses códigos continham.
Assim como esses textos, tão possíveis, que qualquer um pode escrever. A beleza está em desvendar os códigos, alguns simples e outros complexos. Não existe abismo entre caras sem talento que escrevem mesmo sem saber. Ué, no fim nascemos sem saber e vamos vivendo mesmo sem ter nenhuma habilidade para tal.
Os olhos do matemático ainda contemplam a beleza de suas folhas, o poeta que matou meus pseudônimos ainda leva em si um sorriso e eu desde então de sopro em sopro dou essas migalhas corajosas. E isso tem algo de belo.
Longe das academias e letrados se escreve de um jeito estranho, decadente e aleatório. Triste como o relógio e alucinante como guiar uma moto a muitos kilometros por hora. E isso tem algo de belo. Não nos reduza a comparações absurdas, não seremos pomposos na escrita, nem novos gênios da literatura.
E isso tem algo de belo, mesmo esses versos equivocados, destreinados e urgentes. São belos!
Para entender a beleza é preciso questiona-lá. É muito fácil achar belo um quadro de Van Eyck, qualquer um acha. O rigor técnico é surpreendente e chamem de talento o que mais quiser chamar, seus quadros assustam tanto como um Jesus de ferida aberta feita pelo Caravaggio. Beethoven é conhecido até hoje por criancinhas e por caras que não entendem nada de música clássica - como eu. Mas sempre nos deparamos com um abismo que divide esses caras a nós. Inevitável é se surpreender pela obra e achar que nunca seremos capazes de fazer tal feito. Reduzir fronteiras e chegar num ponto secreto é muito mais belo que o rigor técnico quase que exibicionista de muitos artistas. Tocar sem usar as mãos é mais uma para a coleção de mistérios da vida.
Certa vez vi os olhos de um matemático observando a solução de suas três folhas de cálculos. Via o caminho que acabará de percorrer, mesmo atônico soltava um riso vitorioso. Desvendava entre suas derivadas duplas e integrais um dilema. Acabará de se apaixonar. E achava aqueles rabiscos, números, xis e alfas o mais belo dos monumentos. Achava belo pois passou a entender. Compreendeu os sistemas complexos e dado o instante que soube interpretar e desvendar os mistérios viu a beleza e profundidade que esses códigos continham.
Assim como esses textos, tão possíveis, que qualquer um pode escrever. A beleza está em desvendar os códigos, alguns simples e outros complexos. Não existe abismo entre caras sem talento que escrevem mesmo sem saber. Ué, no fim nascemos sem saber e vamos vivendo mesmo sem ter nenhuma habilidade para tal.
Os olhos do matemático ainda contemplam a beleza de suas folhas, o poeta que matou meus pseudônimos ainda leva em si um sorriso e eu desde então de sopro em sopro dou essas migalhas corajosas. E isso tem algo de belo.
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