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domingo, 31 de julho de 2011

Sepulcro Domingo...

domingo, 31 de julho de 2011 0
Domingo é um dia pra se morrer.
Com suor de sábado profano,
com as imagens da sutileza de moças dançando.

O Sol manhoso aquece os velhos que lavam as garagens,
os olhos que lacrimejam e distorcem as cenas [que eu mesmo não quero ver]

Os cadarços soltos indicam o caminho,
a modarça não esconde a voz judiada pela cerveja.

Aos domingos eu encaro o sepultamento de meu corpo frágil,
mas já não reluto aos encantos de um sábado vadio [ou repetido]

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Defuntos & Pó barato

quarta-feira, 13 de julho de 2011 0
Ternos negros,
pasta no cabelo.
A moça quer o mármore,
passeios mórbidos e os olhares dos coveiros.

Eu roubo as flores, dos Antonios e Lourdes,
duas esquinas e esqueço os nomes.
A moça quer o céu negro e imagens de santos.

Mergulho na seda dos seus braços,
ela geme eu mordo.
Ela precisa desse cenário e eu só acho estranho.

domingo, 3 de julho de 2011

Inteligência do macaco narcisista.

domingo, 3 de julho de 2011 0
Estou bem perto de excomungar a inteligência. Manda la pra longe, já não me importo. Faz tempo que me cansa esses papos intelectualóides. Filmes, livros, política. Sempre me bate um sono e saio com a certeza que esses papos são instrumentos pra sempre aumentar os muros entre as pessoas. Superioridade aglutinada em escudos de sabedoria metida a besta. Vou pensar numa teoria boa o bastante pra ser um tolo por opção. A tal ignorância que é uma benção é mesmo bem melhor que essa esperta vontade de reluzir egos.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Discos velhos, amor perdido. A gente escolhe o que quer ser

sexta-feira, 1 de julho de 2011 0
Escolhi um dos discos velhos que estão na estante,

Empoeirada - sempre.
Barulhento - as vezes.

Botei pra tocar e esse era bem barulhento, juvenil. O Kiss da minha geração. Não era fuga nem nada, foi só pra deixar claro que já tô sacando essa da vida. Ainda não fui convencido a entrar no jogo e deve ser por isso que troco o almoço da semana por caixas de cerveja toda noite.

Convencido - as vezes
Juvenil - sempre.

Me liguei que já deve fazer uns 10 anos que o disco reveza entre minhas estantes, entre as casas, entre as ruas e toda e qualquer gente que entrou, mesmo sem permissão, na minha vida.

Não que ao passar dos dias eu estacionei e sou o mesmo cara de anos atrás, mas no fim é meio que isso, a gente escolhe o que quer ser. Tem gente que nomeia demônio, idiotice, imaturidade. Mas vencer uma batalha contra nós mesmos é a maior das nossas vitórias. Realmente parece uma força maligna esses ventos que nos fazem cometer os mesmo erros e se curvar aos mesmos vícios, mas va lá, no fim a escolhe essas rotinas e é preciso muito para vencer.

A percepção é moldada por nós mesmos e não há quem nos faça crer que estamos errados. A gente escolhe o quer ser.

as vezes - eu lido com isso.
outras tantas - eu saio vencido.
quase nunca - eu venci.

Ganhar e perder é uma merda, quem foi que nos ensinou que devemos sempre ganhar e que isso é preciso?

Por hora eu acho melhor que os santos, puros e dogmáticos, fiquem longe.

Os mesmos discos refletem a mania, o erro, o descaso. A gente escolhe o quer ser?

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A falência ou coisa que o valha

quinta-feira, 30 de junho de 2011 1
Construir uma ideia.
e te dar um sorriso
estão nos planos diários.

me fracionar em pedaços
e te entregar as fatias
são o alimento pro seu café da manhã.

Só acho isso estranho,
pois ultimamente você parace não querer.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O intervalo ou um rascunho sobre os desencontros

quarta-feira, 29 de junho de 2011 0
No fim a gente é um pouco dos dois, carne sem graça no espeto ou baratão nojento aceitando o que se é.

Existe a hora, mas a gente nunca sabe. Faz dias que não sai uma linha, faz dias que ela não diz que me ama. Não vai mudar, os instantes que dividem a glória de um segundo indiferente são uma penitência, uma jaula que a gente sempre volta a se trancar. Com consentimento, com a dúvida de nunca sair.

Faz dias que não sai uma linha, um inferno só com dias previsíveis. Juntar palavras é bobagem e inocente. Pego a blusa, o cigarro e me contento em me divertir no trabalho ou com o caminho até a casa dela. Não preciso de liberdade pra esses dias e nem de um estopim que ilumine o caderno que está abandonado.

Eu pego a blusa, o cigarro e nem me importo se faz dias que não sai uma linha. Pelas onze da noite eu entro e eu mesmo fecha os pequenos metros quadrados que aprisionam, aprisionam. Sei que um dia, de tanto juntar acaba saindo. A linha, o verso o beijo esquecido. Agora, eu nem me importo. Kafka e kafta já me parece a mesma coisa, no estado inerte que me encontro. No fim a gente é um pouco dos dois, carne sem graça no espeto ou baratão nojento aceitando o que se é.

As mãos deslizam e desenham formas irreconhecíveis. As letras todas fogem e se escondem. Não é o tempo, talvez nem a hora pra contar a nossa história ou inventar uma nova. Eu pego a blusa e o cigarro enquanto não sai uma linha.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Corações mornos ou a viagem dos indivíduos nulos.

sexta-feira, 24 de junho de 2011 0
Tem café e cerveja, mas nada pra comer. É assim que sempre recepiciono os amigos lá no meu pequeno aparmento perto do centro. Café e cerveja e quase sempre água na geladeira. Comemoro sempre que abro a porta vencida pelo ferrugem e vejo a luz iluminando os azulejos manchados da cozinha, tem uma luz lá dentro. Ainda não cortaram a força.

Pausa pra abrir as latas enquanto a gente consente em silêncio que cortaram a força, a fome, a sede. Tiraram da gente a esperança, a vontade, a crença. Os encontros nossos são como se nunca tivéssemos pichados muros ou soltado grunhidos raivosos de extrema esquerda, hoje é assim, como se nunca tivéssemos levantado bandeira alguma. Antes a conversa era com menos cerveja, mas sempre caia em Stirner ou o que Hegel tinha a ver com sexo livre.

Hoje, sempre esbarramos nos títulos atrasados e falamos das mulheres e de aventuras que a cada ano ficam mais perigosas. Ao menos algo deve continuar pulsando. Tem café e cerveja, mas nada pra comer.

Ainda não cortaram a força, mas já não lembro quando dei a última palavra convicta da minha revolução sem leis.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Lendo um autor com fortes simpatias anarquistas

quarta-feira, 22 de junho de 2011 0
"Quero que vá para o inferno essa batalha do zodiáco ... não dou a mínima para a conspiração dos planetas."

Faz tempo que ela adotou uma mania, me envia o horóscopo todo dia. De alguma forma ela crê que isso vá mudar meu dia. Fico sem graça de dizer pra ela que quero que vá para o inferno essa batalha do zodiáco e que não dou a mínima para a conspiração dos planetas. Talvez eu não dar a mínima pra quase nada a deixe preocupada. Ontem mesmo dizia para os virginianos terem cuidado, Jupiter está em fúria.

Vejo na TV um homem público que ficou milionário em questão de poucos anos, só mandando ver na licitação para favorecer a sua empresa. Vão fazer o Itaquerão, esculpido a suor de 1000 homens e dinheiro que a gente não vai poder saber daonde veio, se bem que sabemos, mas vá, Jupiter está em fúria. Mensagens codificadas não descansam, deve ser por isso que sempre vou dormir tarde.

Já recebi a notícia diária dos cosmos e da moça que se preocupa com os astros, mas ainda não li. Não é medo, mas a cabeça está longe. Não que a insônia veio me visitar esses tempos, mas sempre acabo indo até as tantas da noite. Estou quase chegando numa teoria que é possível sacar microfonia nos ruídos mínimos da madrugada.

Ruídos quase secretos que escondem os passos de gente que rasteja, copula e morre em estradas. Estou quase lá, por que mais furioso que Jupiter esteja.

E você? Já sabe da sua sorte de hoje?

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Pensei num tema em tríade.

quarta-feira, 15 de junho de 2011 0
Pensei num tema em tríade, em mais um tema desses. Repetido mesmo, tudo bem. Eu não me importo e você? Se volta por aqui, também não.

Pensei num tema que tivesse liberdade, ousadia e cheques pré-datados, mas me senti preso, castrado e afogado em contas atrasadas. Concluí que não serei mais livre, já não me passa mais a ideia de fugir dos meus pensamentos. Ousado só é mesmo quando imito o Rafiki, o macaco do rei leão, pendurado nos ferros do metrô.

Vivo flutuando, todo mundo vive. Astronautas sem olhos que flutuam na esperança de tocar o dia seguinte e que esse dia seja o dia que a gente fica milionário, feliz e realizado. Eu flutuo, mas de cansaço. Cansado do discurso, da inteligência, dos custos e dos prazos.

Pensei num tema em tríade que fosse prático, que te tirasse da inércia, te botasse no chão. Um tema que tivesse crença, luta e liberdade. Concluí que o relógio é mais doido que o Sol e foi a ditadura que a minha geração viveu. É estranho achar que se é livre no mundo dos crediários.

Concluí que limitado é uma variável e alcance nem sempre é onde chega meus braços. Só daí percebi que uso todos meus dias pra não deixar que flutue sem olhos, em uma era que a gente ainda pode usar ousadia, crença e luta numa única frase.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Livros, discos e poeira no armário

segunda-feira, 13 de junho de 2011 0
As vezes é preciso ver de novo. As vezes é preciso ver mil vezes e tem as tantas outras vezes que é melhor nem ver. Coleciono discos na estante, cada temporada é um novo. Depois cansa, como tanta gente que passa nas nossas vidas, depois cansa.

Daí deixo eles descansarem na estante, ao lado dos livros que veem junto das temporadas. Reparou? A vida é cheia de temporadas, das fases e dos altos e baixos. Se sacar tem trilha sonora pra mocinha da viela, tem poema pras Anas e Lucimaras, tem discos e discos que são recheados das palavras desses livros e neles os dias que a gente vai levando.

Quase sempre a gente ouve as músicas até rachar, looping eterno pros refrões e muito fôlego, pra rima não ficar sem graça e os versos repetidos.

Depois, a gente cansa. E eles descansam ao lado dos livros.

Quase sempre minha estante fica repleta de poeira, porque a vida corre rápido e a gente não tem tempo pra isso, pra lustra móveis, pra Poliflor com cheirinho de Lavanda. Mas não tem jeito, tem vezes que é preciso voltar lá e por tudo em ordem. Os discos voltam pro tocador, os livros voltam a ser lidos e reviver as temporadas é efeito colateral que atinge o estômago sem nenhum rancor. Solto o riso, lembro das Anas e das Lucimaras e é isso.

No fim nunca gosto disso, de reler os livros e nem de ouvir os velhos discos. No fim é reviver de forma intensa demais coisa que não faz mais sentido. Fico feliz de ter uma trilha sonora pra mocinha da viela, mas me dá ânsia quase que sentir nos pés o frio daqueles paralelepípedos.

No fim a vida corre demais e a gente não tem tempo, pra Poliflor cheirinho de lavanda.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Dividendos ou o troco da auto-estima.

sexta-feira, 10 de junho de 2011 2
O relógio toca, quase sempre me atraso.
Levo uma vida de bom moço
e sinto culpa por encarar os dias assim.

Tá certo que cansa ser falido,
nesse mundo dos vencedores e bem sucedidos.
Mas não nasci pra isso.

É como trair o espirito.
Estou perdendo os dias
e aceitando a condição.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Nasci de uma vontade estranha

quarta-feira, 8 de junho de 2011 1
Nasci de uma vontade estranha,
uma vontade que faz eu sair de casa nesses dias odiáveis.

Insisto na ideia de sumir, nessas festas de gente esquisita.
Procuro um método de eternizar as visões distorcidas,
que tenho quando estou possuído de ópio.

E acho isso tão normal, com a mesma neutralidade
que você responde aos bom dias de desconhecidos.

E acho isso tão assustador,
como as vezes que me pego escondendo versos secretos [e mentirosos.]

Nasci de uma vontade estranha,
que faz eu ser um eterno insatisfeito.

E acho isso tão normal,
na medida que você me chama de assustador.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Dois quadros pro meu filme feliz

sexta-feira, 3 de junho de 2011 1
Se faz poesia quando se tem felicidade?
Fechado pra balanço!

Só escrevo quando voltar,
do seu quarto,
do bar,
da rua.

Da aurora que esconde as nossas faces,
quando eu voltar,
porque eu fui longe.

E hoje eu não quero voltar!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

31 dias e o complexo de Teseu

quarta-feira, 1 de junho de 2011 2
Se foram os 31 dias de muita baboseira por aqui, sinto que nunca escrevi tanto na vida e isso me pareceu um bom hábito. Revivi cada palavra e num sopro as dei de graça. Meias palavras doentes de caras que não sabem onde por a vírgula e que rima boa nem sempre é dos repentistas. Assim foram os dias, de caras que pensam que são mais fortes do realmente são e que reduzem afetos em versos truncados, errados e instintivos.

Longe das academias e letrados se escreve de um jeito estranho, decadente e aleatório. Triste como o relógio e alucinante como guiar uma moto a muitos kilometros por hora. E isso tem algo de belo. Não nos reduza a comparações absurdas, não seremos pomposos na escrita, nem novos gênios da literatura.

E isso tem algo de belo, mesmo esses versos equivocados, destreinados e urgentes. São belos!

Para entender a beleza é preciso questiona-lá. É muito fácil achar belo um quadro de Van Eyck, qualquer um acha. O rigor técnico é surpreendente e chamem de talento o que mais quiser chamar, seus quadros assustam tanto como um Jesus de ferida aberta feita pelo Caravaggio. Beethoven é conhecido até hoje por criancinhas e por caras que não entendem nada de música clássica - como eu. Mas sempre nos deparamos com um abismo que divide esses caras a nós. Inevitável é se surpreender pela obra e achar que nunca seremos capazes de fazer tal feito. Reduzir fronteiras e chegar num ponto secreto é muito mais belo que o rigor técnico quase que exibicionista de muitos artistas. Tocar sem usar as mãos é mais uma para a coleção de mistérios da vida.

Certa vez vi os olhos de um matemático observando a solução de suas três folhas de cálculos. Via o caminho que acabará de percorrer, mesmo atônico soltava um riso vitorioso. Desvendava entre suas derivadas duplas e integrais um dilema. Acabará de se apaixonar. E achava aqueles rabiscos, números, xis e alfas o mais belo dos monumentos. Achava belo pois passou a entender. Compreendeu os sistemas complexos e dado o instante que soube interpretar e desvendar os mistérios viu a beleza e profundidade que esses códigos continham.

Assim como esses textos, tão possíveis, que qualquer um pode escrever. A beleza está em desvendar os códigos, alguns simples e outros complexos. Não existe abismo entre caras sem talento que escrevem mesmo sem saber. Ué, no fim nascemos sem saber e vamos vivendo mesmo sem ter nenhuma habilidade para tal.

Os olhos do matemático ainda contemplam a beleza de suas folhas, o poeta que matou meus pseudônimos ainda leva em si um sorriso e eu desde então de sopro em sopro dou essas migalhas corajosas. E isso tem algo de belo.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Não refaça o verso

terça-feira, 31 de maio de 2011 2
Ontem ela me disse que leu algo que mudou a sua vida. Para ser menos trágico mudou um dos seus hábitos. Ela leu uma coisa que invadiu uma área que talvez eu nunca alcance. Logo eu, tão egoísta.

Que quis ser tão dono de ti e de seus milimetros. Fui derrubado por algo que você leu e que mudou sua vida. Pensei nos meus rascunhos tão egoístas, que só servem pra mudar meus hábitos e arrancar de mim o tédio da rotina. Evidente que nunca tive a pretensão de mudar a vida de ninguém, nem mesmo seus pequenos hábitos. Mas dela, logo dela, eu dei pra mim essa obrigação.

Logo ontem, que me senti tão fracassado. Vi um texto meu, bem velho, desses egoístas, só meus que alguém botou a mão. Pior, mataram o verso. Mataram a graça, a irônia, tiraram dele a sacanagem. Como justificativa me disseram que as palavras eram rudes, desnecessárias. O preço foi a tristeza de um bife morno, apático. Um verso fraco.

Quis dizer amante, no sentido sexual mesmo. Amante de cúmplice, de segredo. Mas botaram lá um companheiro. Pensei nos filmes quando retratam comunistas. Não queria agradecer um camarada e nunca transei com um companheiro, nem companheira. Só transei com minhas amantes.

E essas histórias todas me disseram boa noite, um ai de respeito aos versos indecifráveis, ao mistério malidicente aglutinado neles. Eles assim, preservados, levam o poder súbito de mudar seus hábitos.

Por isso, não refaça o verso.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Estive fora uns dias

segunda-feira, 30 de maio de 2011 1
As vezes eu sumo.
Do mapa, dos meus cantos.
As vezes eu desapareço.

Dai ela liga,
Diz que sente falta,
Pergunta por onde eu estive.

Indaga se foi os narcóticos.
Diz que é melhor eu me cuidar,
Mas eu só estive longe esses dias.

Dela, dos meus cantos.
De mim mesmo.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Velho demais para ser eclético

terça-feira, 24 de maio de 2011 1
25-30.
Estou condicionado a ouvir as mesmas músicas.
Estou treinado em aceitar os kilometros que me dividem:
do trabalho.
do mercado.
das compras de natal.

Quando se dá conta está estático.
Vendo os telejornais,
curtindo as notícias trágicas [de algum lugar bem próximo]

Passo os dias em prol de uma causa nobre. [me salvar]
e raras vezes me dou conta do vício,
da mentira sedativa que isso se tornou.

Escovei os dentes no tanque,
sem ver minha cara.
E só assim, lembrei do meio mundo inerte, [inválido.]

Pensei no meio mundo,
que se limpa toda noite,
na esperança de afugentar do corpo
seu meio milhão de pecados.

E só assim, sem ver minha cara
me dei conta que fundiram minhas ideias.
Que inválido, viajo os kilometros,
aceitando as contas,
as divídas, as notícias trágicas.

Eu navego junto
a esse meio mundo e me limpo todas as noites,
na esperança...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Em resposta ao Poeta: Dona Inspiração

segunda-feira, 23 de maio de 2011 1
Essa Dona de saia justa,
me encara todos os dias,
me fascina seu andar e suas pernas.

Me encanta sua ciência inexata,
seus olhares desafiadores,
a imensidão de sua pele.

Dona, me seduz seus segredos,
me incomoda seu cálice.

Os sábios e estudados lhe dedicam vidas.
E eu só vivo cada dia na esperança de suas migalhas.
Me reviro, bebo do meu suor.

E sigo Dona, na esperança de um segundo perdido,
de um ato sísmico que trema meus ossos,
de um beijo de gratidão.

Dona, sei do meu vício,
que cego repito e repito.

Que sem dar conta eu me livro,
numa fração de segundo fugaz,
de seus domínios e me entrego no prazer pleno.

De gozar de uma cria,
minha, não mais sua.
O copo transborda e eu regozijo.

Não sei o nome disso,
mas Dona, não pode ser Inspiração.

No descanso de Morfeu

Secura.
Dentes de vampiros limpos.
Insônia.
Dêmonios sem pernas me observam.

Mentiras.
Afogado nelas, espero.
Doença.
Essas palavras cruas que me dá de troco.

Marasmo.
Flutuo nesses cabelos de Medusa adestrada.
Anestésicos.
Moribundo me arrasto sem brilho nos olhos.

Surdo.
Navego sob a Égide da minha loucura.

domingo, 22 de maio de 2011

Teorema

domingo, 22 de maio de 2011 0
Quis fazer da vida um teorema matemático.
Uma equação que a soma dos catetos,
Me dê seus dedos equivocados.

Pensei no Laplace bebendo pinga,
e nos sistemas insolúveis que me deparei.
Dai os corolários e os teoremas.

Bem dizer, quis ver ordem em tudo,
Nos seus bom dias e quando grita na cama.
Botar umas rédeas nesses alfas e betas.

Passei horas encarando Clairaut-Schwarz.
E me senti um delta menor, meio pobre, um tanto mendigo.
Depois de noites cheguei na solução, desses seus olhos de indiferença.

Somatórias me reduzem num átomo aflito,
Dividido, sufocado, viajando em fractais [e nas pernas de boas moças.]
Leibniz, que deixou esse pó vencido, trouxe a mim o entendimento,
Do pensar estranho das garotas sem rosto que eu conheci.

Na impotência do meu intelecto, roubei escritos e sumi na escuridão,
Com vergonha fugi nesses lugares de gente estranha e bebida barata.
Só no calor dos tragos de conhaque e de carinhos ordinários,
que entendi a força dos afetos.

Isso não é um discurso e nem um método,
Descartes com seus sonhos irreais
só me deram chance de ir embora.

Carregando o mistério da vida,
Desordenado entre papeis e breves histórias de amor.
Desiludido entre dias comuns, noites de suor e baixaria.
 
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