Noite fria de São Paulo
Maldita São Paulo estéril
Onde mentiras são contadas
Onde verdades são mentidas
A suja e linda São Paulo megera
Dos becos e dos viciados zumbis
Que alucinados brigam pela última pedra
Tragando a morte pra ser um segundo feliz
Dicotômica cidade de felicidade a ruir
Dos bares lotados de sorrisos
Dos shoppings, templos pra se consumir
Das putas sujas e seus perigos
Da noite livre onde manda a grana
Dos carros cinzas de vidros fechados
Dos moleques, pelas ruas, que ela ama
Que roubam, sorrindo, os carros parados
Onde o balcão do bar vira teatro
E bêbados falantes são atores
De uma peça onde não há errado
E esses bêbados fracassados são senhores
A São Paulo da noite fria
Fria São Paulo que finge não ver
Que em suas periferias se faz a sangria
Do povo que faz a cidade acontecer
Perfeita São Paulo que olho com horror
Uma menina suja e bem vestida
Que não desfruta da paz merecida
Mas vê no peito de todos seu amor
Amor tão profano por uma mãe que desejo
Que despedaça nas calçadas sujas do medo
Despertando com o frio da goroa suja
De um sonho onde minha alma arrependida era sua
quinta-feira, 14 de abril de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
C(h)eia de Dentes
quarta-feira, 13 de abril de 2011
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Todos rodeiam a ceia.
Com dentes a mostra,
meio corcundas e ariscos.
Todos rodeiam a ceia.
Como hienas.
Sorrateiros.
As moças e seus olhares inocentes,
os homens e seus musculos relaxados.
Todos imersos em seus erros,
encobertos com suas sujeiras.
Já esperam o pior das suas companhias.
Exalam veneno e enchem a cara.
Escorpiões estrangeiros preparam o seu rabo
em serpentários malignos
Como travestis prontos a atacar
Segurando suas esperanças, seu amor
Já que não há nada mais que se possa perdoar
Mentiras são, mentira é.
As meninas perdidas em absintos
Sentidas meninas sem pudor
Caçando, sôfregas, a redenção
Com seus homens soltos pelas ruas
Porcos homens otários sem saber
Para onde corre seu desejo, seu prazer
E na velha ceia pintada na parede
De uma velha igreja longe daqui
Onde santos sentavam-se a mesa
Havia já um traidor a sorrir
Com dentes a mostra,
meio corcundas e ariscos.
Todos rodeiam a ceia.
Como hienas.
Sorrateiros.
As moças e seus olhares inocentes,
os homens e seus musculos relaxados.
Todos imersos em seus erros,
encobertos com suas sujeiras.
Já esperam o pior das suas companhias.
Exalam veneno e enchem a cara.
Escorpiões estrangeiros preparam o seu rabo
em serpentários malignos
Como travestis prontos a atacar
Segurando suas esperanças, seu amor
Já que não há nada mais que se possa perdoar
Mentiras são, mentira é.
As meninas perdidas em absintos
Sentidas meninas sem pudor
Caçando, sôfregas, a redenção
Com seus homens soltos pelas ruas
Porcos homens otários sem saber
Para onde corre seu desejo, seu prazer
E na velha ceia pintada na parede
De uma velha igreja longe daqui
Onde santos sentavam-se a mesa
Havia já um traidor a sorrir
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Perfume... de mulher
quinta-feira, 7 de abril de 2011
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Tem essas memórias, adormecidas.
Que explodem em cada nuance,
das minhas destreinadas narinas.
Fico em transe, in vitro.
Nesse instante fico fraco.
Analfabeto.
Poeta.
Aos poucos a vista volta,
os sentidos acendem.
Toda vez que isso acontece
eu fico mais certo.
se um dia escrever algo decente sobre perfume de mulher,
é hora de levarem minha consciência, meus ossos,
o juízo que me resta ou até minha alma.
Se um dia escrever algo decente sobre perfume de mulher.
Que explodem em cada nuance,
das minhas destreinadas narinas.
Fico em transe, in vitro.
Nesse instante fico fraco.
Analfabeto.
Poeta.
Aos poucos a vista volta,
os sentidos acendem.
Toda vez que isso acontece
eu fico mais certo.
se um dia escrever algo decente sobre perfume de mulher,
é hora de levarem minha consciência, meus ossos,
o juízo que me resta ou até minha alma.
Se um dia escrever algo decente sobre perfume de mulher.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Cinzas que falam
quarta-feira, 6 de abril de 2011
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Brilha, brilha o fogo que me queima
Castiga, a asia e a dor que desnorteia
Mentira, fogo e vida descem a ladeira
Saudades, do calor da flor que me odeia
Na verdade não há mais nada que me incendeia
A não ser o fogo que me toca e me beija
Desperdício, me desperdiço... me quebro
Sou pouco, sou cinza, calor que se esvai
Queria torrar meus pensamentos amorosos
No fogo que deixou acesso no meu peito
Queria jogar fora seu sorriso
Quero, desejo... não posso
Ouço o barulho vago do gás
Respirar... respirar... falecer...
Castiga, a asia e a dor que desnorteia
Mentira, fogo e vida descem a ladeira
Saudades, do calor da flor que me odeia
Na verdade não há mais nada que me incendeia
A não ser o fogo que me toca e me beija
Desperdício, me desperdiço... me quebro
Sou pouco, sou cinza, calor que se esvai
Queria torrar meus pensamentos amorosos
No fogo que deixou acesso no meu peito
Queria jogar fora seu sorriso
Quero, desejo... não posso
Ouço o barulho vago do gás
Respirar... respirar... falecer...
terça-feira, 5 de abril de 2011
A noite vem...
terça-feira, 5 de abril de 2011
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Vem a noite do abraço frio
Vem a noite, a noite que me partiu
Com seus olhos viciados,
de vidros velhos e trincados.
Vem a noite, a noite louca
Que fedendo a cigarro me beija a boca
Que me esconde em sofás sujos,
Com cheiro de sexo, imundos
Vem a noite, não quero saber
Se tudo der certo, vou me foder
Pra rastejar entre as vielas,
E quase decrépito procuro suas pernas
Vem a noite, a noite vem
E no fim da noite ninguém tem ninguém
Nessa noite longa, onde todo sim foi não
Quem foi esperto não esperou nenhuma salvação.
Vem a noite, a noite livre
E quando a noite acaba ninguém mais vive...
Vem a noite, a noite que me partiu
Com seus olhos viciados,
de vidros velhos e trincados.
Vem a noite, a noite louca
Que fedendo a cigarro me beija a boca
Que me esconde em sofás sujos,
Com cheiro de sexo, imundos
Vem a noite, não quero saber
Se tudo der certo, vou me foder
Pra rastejar entre as vielas,
E quase decrépito procuro suas pernas
Vem a noite, a noite vem
E no fim da noite ninguém tem ninguém
Nessa noite longa, onde todo sim foi não
Quem foi esperto não esperou nenhuma salvação.
Vem a noite, a noite livre
E quando a noite acaba ninguém mais vive...
quarta-feira, 30 de março de 2011
A rua me chama...
quarta-feira, 30 de março de 2011
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E sim, veio de novo a feliz sexta-feira
E não, estou em casa... e a rua não me chama
E nos derradeiros dias vivendo a minha maneira
Espero ter nesse dia a doce calma de quem ama
Mas não! Vá se foder essa preguiça justificada
Quero sair, quero viver, andar sobre minha história
Não vou chorar, já velho, por uma vida tão parada
E por isso vou sair, e vou seguir a minha via
É, a rua parece minha parceira
Fagueira rua que me chama de amor
Essa rua tão amiga que vira até ladeira
Em que um bêbado como eu nem sente sua dor
Estou passando, já é hora, devo parar
Velhos cabelos que caem pelo chão
Espero o dia de ficar cansando e voar
Chorando pelo amor que senti e foi em vão...
E não, estou em casa... e a rua não me chama
E nos derradeiros dias vivendo a minha maneira
Espero ter nesse dia a doce calma de quem ama
Mas não! Vá se foder essa preguiça justificada
Quero sair, quero viver, andar sobre minha história
Não vou chorar, já velho, por uma vida tão parada
E por isso vou sair, e vou seguir a minha via
É, a rua parece minha parceira
Fagueira rua que me chama de amor
Essa rua tão amiga que vira até ladeira
Em que um bêbado como eu nem sente sua dor
Estou passando, já é hora, devo parar
Velhos cabelos que caem pelo chão
Espero o dia de ficar cansando e voar
Chorando pelo amor que senti e foi em vão...
quinta-feira, 24 de março de 2011
Amor
quinta-feira, 24 de março de 2011
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O amor é como um balsamo que te cega
É algo que de tão bom é quase ruim e te quebra
É como um monstro doce que te agarra e te pega
Uma mentira que se conta sorrindo, achando que há verdade nela
É algo que nos completa, tirando tudo que temos
E pensamos saber, o que de fato não sabemos
Idiotas, achamos poder dominá-lo, e não ele a nós
Imaturos, achamos poder seqüestrá-lo, e não ele a nós
Atroz dor que não para e nem dói
Maldita alegria, que de tão boa não vinga
Dorzinha chata e boa na boca do estômago
Cada vez que vejo aquele anjo que caminha
Será verdade aquela dor que desatina?
Será que sei mesmo o que é amar?
Sei sim e posso dizer com certeza meu Senhor
Não há no mundo além de mim, quem mereça mais o meu amor
É algo que de tão bom é quase ruim e te quebra
É como um monstro doce que te agarra e te pega
Uma mentira que se conta sorrindo, achando que há verdade nela
É algo que nos completa, tirando tudo que temos
E pensamos saber, o que de fato não sabemos
Idiotas, achamos poder dominá-lo, e não ele a nós
Imaturos, achamos poder seqüestrá-lo, e não ele a nós
Atroz dor que não para e nem dói
Maldita alegria, que de tão boa não vinga
Dorzinha chata e boa na boca do estômago
Cada vez que vejo aquele anjo que caminha
Será verdade aquela dor que desatina?
Será que sei mesmo o que é amar?
Sei sim e posso dizer com certeza meu Senhor
Não há no mundo além de mim, quem mereça mais o meu amor
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Se a Morte...
sábado, 19 de fevereiro de 2011
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Se a Morte tivesse uma cor ia ser um alegre fúcsia
E derramaria de suas roupas, e seria ópaca e brilhante
Se a Morte tivesse uma cor
ia ser uma mistura mágica dos azuis e dos vermelhos.
Se a Morte tivesse um cheiro ia ser fácil de saber
Com medo sentiríamos arder o nariz e lágrimas escorrer
Se tivesse morada ia ser perto do Sul.
Longe daqui. Em algum lugar onde não se pode ir
Em uma estrela pouco iluminada, cercada do luto preto do espaço
Um homem de rijos músculos guardará a entrada.
Segurando sua serpente de duas cabeças.
E quem iria tentar invadir a casa da Morte?
Se a Morte soubesse as horas nos levaria nas alegres
Pra que em sua barca tivessem sombras dos sorrisos
E que no seu caminho pudéssemos perceber a beleza de morrer
Se a Morte tivesse pena, ah se ela tivesse, crianças iriam ficar
Pra poder envelhecer e não ser mais motivo de pena...
Se a Morte poupasse o céu era vazio...
Se a Morte tivesse um rosto, teria um lindo sorriso
E seria horrível, grotesto olhar em seus olhos
Se a Morte tivesse um rosto, só veríamos uma vez
A Morte caminha sorrindo, talvez fosse capaz de cantarolar...
E dos seus olhos, tristes olhos, as lágrimas caem sem parar.
Alegre por viver? Triste por matar?
A Morte é cega, só pode ser...
Só assim pra não saber que fúcsia não é alegre
E que não se morre quando se parte, se morre quando se para de viver...
E derramaria de suas roupas, e seria ópaca e brilhante
Se a Morte tivesse uma cor
ia ser uma mistura mágica dos azuis e dos vermelhos.
Se a Morte tivesse um cheiro ia ser fácil de saber
Com medo sentiríamos arder o nariz e lágrimas escorrer
Se tivesse morada ia ser perto do Sul.
Longe daqui. Em algum lugar onde não se pode ir
Em uma estrela pouco iluminada, cercada do luto preto do espaço
Um homem de rijos músculos guardará a entrada.
Segurando sua serpente de duas cabeças.
E quem iria tentar invadir a casa da Morte?
Se a Morte soubesse as horas nos levaria nas alegres
Pra que em sua barca tivessem sombras dos sorrisos
E que no seu caminho pudéssemos perceber a beleza de morrer
Se a Morte tivesse pena, ah se ela tivesse, crianças iriam ficar
Pra poder envelhecer e não ser mais motivo de pena...
Se a Morte poupasse o céu era vazio...
Se a Morte tivesse um rosto, teria um lindo sorriso
E seria horrível, grotesto olhar em seus olhos
Se a Morte tivesse um rosto, só veríamos uma vez
A Morte caminha sorrindo, talvez fosse capaz de cantarolar...
E dos seus olhos, tristes olhos, as lágrimas caem sem parar.
Alegre por viver? Triste por matar?
A Morte é cega, só pode ser...
Só assim pra não saber que fúcsia não é alegre
E que não se morre quando se parte, se morre quando se para de viver...
Medo!
Puta merda! Perdi meu medo...
Caramba, onde será que deixei?
Estava aqui, bem preso no meu peito!
E agora sem ele, o que farei?
Me segurou tantas vezes, agora, como vou parar?
Sem o medo aqui, gente, o que pode acontecer?
Será que agora vou fazer escolhas sem vacilar?
Finalmente parar de só pensar e fazer?
...
Droga! Sim, o medo voltou...
O mundo ficou muito grande sem o medo pra me podar
E o mundo fica lindo, enorme, gigante...
Que medo! Deixa eu voltar pra baixo da estante...
Li num livro, nem preciso viver...
Vi na novela, chorei sem precisar levantar!
Lá no jogo, ele fez o gol que quis fazer...
E a minha vida? Pra que vida? Tenho vidas!
E vivo elas em espaços diferentes, tem a vida dàs 6, dàs 7 e dàs 9!
Não me orgulho! Ok, nem ligo!
Abro refri e vejo o tempo passar..
Não fiz uma só coisa nessa vida...
"Vivi e nada aconteceu!"
Caramba, onde será que deixei?
Estava aqui, bem preso no meu peito!
E agora sem ele, o que farei?
Me segurou tantas vezes, agora, como vou parar?
Sem o medo aqui, gente, o que pode acontecer?
Será que agora vou fazer escolhas sem vacilar?
Finalmente parar de só pensar e fazer?
...
Droga! Sim, o medo voltou...
O mundo ficou muito grande sem o medo pra me podar
E o mundo fica lindo, enorme, gigante...
Que medo! Deixa eu voltar pra baixo da estante...
Li num livro, nem preciso viver...
Vi na novela, chorei sem precisar levantar!
Lá no jogo, ele fez o gol que quis fazer...
E a minha vida? Pra que vida? Tenho vidas!
E vivo elas em espaços diferentes, tem a vida dàs 6, dàs 7 e dàs 9!
Não me orgulho! Ok, nem ligo!
Abro refri e vejo o tempo passar..
Não fiz uma só coisa nessa vida...
"Vivi e nada aconteceu!"
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Corolário
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
1
Preciso de um papel. Preciso de uma porra de um papel. É como se eu acordasse após um sonho ruim e me deparasse num lugar cheio de gente e música alta. Num lugar cheio de mulheres faceís e homens que se acham mais machos do que realmente são. Preciso inventar alguma história ou dizer tudo que vejo. Preciso declarar uma fantasia, uma mentira qualquer, deixar de herança qualquer tipo de linha ou mancha de caneta.
Preciso de um papel. Me dou conta que é tarde da noite e as pessoas dançam como não se importassem com as horas ou com suas vidas perfeitas. Elas só falam alto e beijam e soam. Todas elas, cheias de sonhos, de medos, de verdades e eu só quero um papel, mesmo que seja pra contar uma história sem sentido.
Corro como louco atrás de algum guardanapo, pareço um espécie de viciado deplorável que perdeu toda auto-estima ou decência que lhe resta. Olhos vermelhos e posso até dizer que bebi um pouco além da conta, sinto o gosto de álcool na boca e a cabeça meio longe. Não sei dizer o que houve instantes atrás e como parei aqui.
As pessoas continuam firmes com suas latas de cerveja, com suas histórias fantásticas. Por um segundo sinto nojo de todas elas e de seus sentimentos de semi-deuses. Consigo a tal caneta e um pedaço de qualquer coisa pra anotar os delírios que me vierem a mente. Verdade que já nem ligo pro papel, ja me parece uma amuleta pra apoiar os versos que amotoam ou beijam minha mente, parece medo de ver eles fugindo como se nunca mais fossem voltar. Medo, como os de criança ou quando amamos pela primeira vez. Medo de perder, medo de dar de cara com a solidão. Medo de saber que ninguém se importa. Será que todos esses medos são de criança ou de quem ama pela primeira vez?
Sei ao menos que esses medos são verdadeiros quando estamos nessas condições e acreditamos cegamente neles. Todos continuam pulando e buscando mais cervejas como se fossem retornáveis, todos riem e se divertem com piadas sádicas. Eu miro o centro do guardanapo, esvazio o peito e enfio a caneta com violência. Sobrou um papel cheio de marcas de tinta, irreconhecível, com um rasgo no meio.
Agora estamos todos iguais, maravilhosos, jovens e machucados.
Preciso de um papel. Me dou conta que é tarde da noite e as pessoas dançam como não se importassem com as horas ou com suas vidas perfeitas. Elas só falam alto e beijam e soam. Todas elas, cheias de sonhos, de medos, de verdades e eu só quero um papel, mesmo que seja pra contar uma história sem sentido.
Corro como louco atrás de algum guardanapo, pareço um espécie de viciado deplorável que perdeu toda auto-estima ou decência que lhe resta. Olhos vermelhos e posso até dizer que bebi um pouco além da conta, sinto o gosto de álcool na boca e a cabeça meio longe. Não sei dizer o que houve instantes atrás e como parei aqui.
As pessoas continuam firmes com suas latas de cerveja, com suas histórias fantásticas. Por um segundo sinto nojo de todas elas e de seus sentimentos de semi-deuses. Consigo a tal caneta e um pedaço de qualquer coisa pra anotar os delírios que me vierem a mente. Verdade que já nem ligo pro papel, ja me parece uma amuleta pra apoiar os versos que amotoam ou beijam minha mente, parece medo de ver eles fugindo como se nunca mais fossem voltar. Medo, como os de criança ou quando amamos pela primeira vez. Medo de perder, medo de dar de cara com a solidão. Medo de saber que ninguém se importa. Será que todos esses medos são de criança ou de quem ama pela primeira vez?
Sei ao menos que esses medos são verdadeiros quando estamos nessas condições e acreditamos cegamente neles. Todos continuam pulando e buscando mais cervejas como se fossem retornáveis, todos riem e se divertem com piadas sádicas. Eu miro o centro do guardanapo, esvazio o peito e enfio a caneta com violência. Sobrou um papel cheio de marcas de tinta, irreconhecível, com um rasgo no meio.
Agora estamos todos iguais, maravilhosos, jovens e machucados.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Agora!
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
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Vê esses olhos na janela,
vê esse fio de luz em nossa cama [que queima nossas pernas].
Vê essas crianças tão assustadas,
como nós que corremos de mãos dadas
e reciclamos medos em bocas e mais bocas.
Vê esses varais,
a poeira,
a chuva
e gele com o vento.
Gele com meus ossos e
na minha [ou na sua],
despedida.
Sinta esse instante
como ele representasse todos,
os nossos,
das nossas mães e pais,
de toda e qualquer pessoa que já amou
e numa fração eterna de segundo foi desprezada.
Vê esse acumulo nosso, entre as paredes,
entre os lambe-lambes que se esfolam na parede.
E nesse tudo que meus olhos já nem sabem mais, estão aqui. Agora!
*Viver tantas vezes é um soco no estômago, mas vá lá:
Soco do dia: Video Editado e criado por Raniere Coutinho
vê esse fio de luz em nossa cama [que queima nossas pernas].
Vê essas crianças tão assustadas,
como nós que corremos de mãos dadas
e reciclamos medos em bocas e mais bocas.
Vê esses varais,
a poeira,
a chuva
e gele com o vento.
Gele com meus ossos e
na minha [ou na sua],
despedida.
Sinta esse instante
como ele representasse todos,
os nossos,
das nossas mães e pais,
de toda e qualquer pessoa que já amou
e numa fração eterna de segundo foi desprezada.
Vê esse acumulo nosso, entre as paredes,
entre os lambe-lambes que se esfolam na parede.
E nesse tudo que meus olhos já nem sabem mais, estão aqui. Agora!
*Viver tantas vezes é um soco no estômago, mas vá lá:
Soco do dia: Video Editado e criado por Raniere Coutinho
Agora! from Sodoma Design Studio on Vimeo.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Um amar odioso
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
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Quis te machucar com tanta força e violência
Que veria que é ódio, todo esse amor que lhe tenho
Clamei por seus lábios com a fúria de um amante
Para te-lo em minha mão, e escarrar com nojo
Te desejo, sempre te desejo, objeto impuro da minha dor
E tem horas que não sei, se pra te amar ou pra te derreter
Pelo peito preso nesse amor que não quero para mim
E no seu peito deito, te adorando, enquanto reclamo do seu sexo
Fingo esse egoísmo nojento de sempre gozar primeiro
Mas o que quero é seu gozo eterno, escorrendo pelas pernas
Sem essa, queria poder sonhar com outras, ter outras
E não só esses toques trocados pelas carências, odeio ter razão
Como odeio sorrir pelo seu sorriso, queria lhe quebrar os dentes
E pode dizer que a única coisa ruim em lhe matar, é que só poder ser uma vez
Mas por que não posso trocar todo esse amor por ódio?
Pra lhe deixar, te esquecer, rir na sua cara?
Poderia lhe dizer as mais horríveis mentiras, jurando ser verdade
Mas eu... eu não, só quero sorrir e dizer que te amo...
Que veria que é ódio, todo esse amor que lhe tenho
Clamei por seus lábios com a fúria de um amante
Para te-lo em minha mão, e escarrar com nojo
Te desejo, sempre te desejo, objeto impuro da minha dor
E tem horas que não sei, se pra te amar ou pra te derreter
Pelo peito preso nesse amor que não quero para mim
E no seu peito deito, te adorando, enquanto reclamo do seu sexo
Fingo esse egoísmo nojento de sempre gozar primeiro
Mas o que quero é seu gozo eterno, escorrendo pelas pernas
Sem essa, queria poder sonhar com outras, ter outras
E não só esses toques trocados pelas carências, odeio ter razão
Como odeio sorrir pelo seu sorriso, queria lhe quebrar os dentes
E pode dizer que a única coisa ruim em lhe matar, é que só poder ser uma vez
Mas por que não posso trocar todo esse amor por ódio?
Pra lhe deixar, te esquecer, rir na sua cara?
Poderia lhe dizer as mais horríveis mentiras, jurando ser verdade
Mas eu... eu não, só quero sorrir e dizer que te amo...
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