terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Gosto de cigarro

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011 0
Gosto de cigarro
cheiro de cigarro...
Nas roupas, no cabelo,
nas mãos, nos dedos...

O cigarro na mão aos poucos queima
E é sulgado com a vontade que nós sulgamos a noite
E como nós se desfaz pelas bocas...

Fascina-me a fumaça,
que dança e some.
Livre no ar.

No fim é um dêmonio.
Que entrega prazer
e como troco lhe rouba uns dias.

E lhe dá sorrisos
Motivos pra conversar
na calçada lotada,
na frente do bar

Mas quem se importa?
Gosto do cigarro,
cheiro do cigarro.

Do asco das pessoas
Olhares de reprovação
Quero mesmo uma enfisema

E por isso, essa noite
te chamo pra sair.
Pra que dance livre no ar.
E me dê motivos pra sorrir...

Você, a fumaça e o prazer
Sem saber onde vamos parar
Esperando qualquer coisa acontecer

E que roube meus dias,
Pra sumir na manhã seguinte.
Queimando meus dedos e o que mais entrar na frente.

Só quero que se desfaça em minha boca,
mesmo que me deixe negro por dentro.
Deixe seu cheiro encrustado na minha roupa.

Até chegar no filtro...
Me jogue no chão
Mas pise em mim, estarei acesso...

Nem mais me dou conta,
mas preciso disso todo instante,
mesmo que no amanhacer
você suma no silêncio do meu sono.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O acaso em potes de vinagre

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 1
Não tenho bebido muito ultimamente, nem desenhado, nem mesmo pra escrever eu tenho dedicado horas. O café esfria na mesa e os gritos enlouquecem as partículas suspensas no ar. Os dias velozes caminham e eu me arrasto pro escritório e passo as horas que restam pensando na vida, nas pessoas. No meu pai que sumiu tanto como eu e das pessoas que de alguma forma me despedi ou aceitei passar a vida por perto.

De banho tomado encaro o bife meio frito meio mal passado, vejo as notícias na teve e respondo os boas noites ao fim das tragédias diárias. Hoje nem dou a mínima pras vitimas da chuva, nem pra quantia de sal no arroz. Mas mantenho a pose, de cabelo penteado, roupas limpas e fico com o conforto de ter alguma quantia na conta.

Tenho lido bons livros inspiradores em suas medidas e elegantes como presentes. Estou preocupado demais nos pensamentos que não me importo se são estórias fantásticas ou possíveis. Se tem algo em comum com as mentiras que a pessoas dizem no bar. Já reparou como mentem nos balcões ou com uma garrafinha na mão? Acho isso uma habilidade incrível e confesso que as vezes eu tento. Penso nas minhas historias fantásticas que de fato aconteceram comigo e nas vezes que tentei conta-las. Penso nos olhares descrentes que me deram de troco. Com o mesmo troco que dou pra maioria das histórias que me contam. dai desisto, do conto, da tv e do bife morno.

Estou andando na linha e só penso o que seria se encontrasse meu anjo de morte, se sentiria ciúmes, se me mostrasse meus sonhos perdidos ou se dissesse que esses dias são a morte...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Coquetel de amor para os dias viciados

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011 1
As vezes, muitas vezes a gente acorda.
Escova os dentes, bota umas roupas cheias de comfort.
Coleta os passes, acerta os relógios.
Morre em escritórios com ar-condicionado e café expresso.

Emite os bom dias e os boas tardes.
Esconde a face negra e olhos inchados da noite passada,
esconde os pensamentos sombrios,
de querer arrancar os braços do figura ao lado.

Por fim, ao cair a noite,
cai os dias,
os comuns de morte,
com o pensamento enganado,
achando que é alivio.

Eu só preciso de um jeito.
Ou pensar numa fórmula,
de fazer um molotov.
Ou um explosivo terrível.

Que queime nossos corpos,
que quebre nossos ossos.

Um que seja vermelho,
que deixe nossos dedos
buscando novas formas de nós mesmos.

Ou que nos estrondos,
acompanhe as palavras e os gemidos,
que seja um explosivo,
um coquetel poderoso.

Que arrebate a calmaria dos dias.
Que destrua as estruturas,
ou até a nós mesmos.

Só seja um raio que desperte
os desejos de um amor intenso.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Suspiros

terça-feira, 11 de janeiro de 2011 1
Suspiros, só quero viver pra ter seus suspiros
Provar suas curvas, seu calor
Te fazer morrer em meus cálidos braços

Me perder nos devaneios
Onde me beijas a boca
E eu toco seus seios...

Ver as roupas que caem pelo quarto
Os corpos se misturando entre sussuros
Onde nada além disso é perfeito

Me afogar em seus cabelos
Querer morrer deitado em seus seios
Pra nascer feliz entre suas pernas

Que gritem conosco as paredes
Que acordem vizinhos e reclamem
E que o pudor não nos alcance

Que não me peça nada, faça
Pois não lhe pedirei, farei

Que não contemos por vezes
Que contemos então por horas

E de novo, e de novo...
Até as pernas não obedecerem mais
Até o mundo acabar a nossa volta

E no fim, lá no ultimo sorriso
Estará grudada em mim como um cabelo
Presa a minha pele pelo suor que provocou

Um dia vou morrer, só isso é garantido
Mas se um último pedido tiver,
Quero estar apaixonado até os meus últimos suspiros

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Último Romance...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010 0
Um ano, dois sei lá...
Acho que minha vida inteira podia esperar...
Pelo amor mais que certo que lhe tenho
Pela esperança gostosa de te beijar

Ah essa história incompleta
Que é mais inteira que todas as que já vivi
Que parece que vai arrastar-se por décadas
Única história que me ouviu dizer: Me arrependi

Será meu ultimo romance? Será?
Olha sua boca e só consigo pensar
Que, querendo ou não...
A sua boca será a última que vou beijar

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Amiga Amante - 2º Versão

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010 0
Das amigas a que mais amei
Dos amores o mais amigo
O corpo com o qual mais sonhei
Que me faz sorrir sozinho...

Das viagens que mais gostei
Das vezes que perdemos o juizo
Das bebidas que tomou e que tomei
Das camas que viraram esconderijos

A mulher que admirei
Que quando conheci, gostei mais
Que faz o que quer, vive sem lei
Daquelas que pode sorrir quando olha pra trás!

Dos abraços sem beijos...

Das amigas a que mais amei
Dos amores o mais amigo
O corpo com o qual mais sonhei
E que me faz sorrir sozinho

Das cervejas, papos, loucuras, risadas e idéias
Que saem facilmento quando vejo seu sorriso
Das conversas bem nossas, que são até conversas velhas..
Da sorte de poder desfrutar um pouco do mundo contigo...

Das verdades, que já foram meias, e agora espalham-se pela mesa
Que ruboriza seu rosto, e no mesmo rosto coloca o sorriso mais lindo
Que me faz ver estrelas, que me faz ter a tal certeza
De que quero ter muito mais que apenas poucas horas sorrindo...

Será sinceridade todas as palavras que disse?
Será que alguma vez exagerei?
Olho nos seus olhos e posso repetir tudo, sem desviar o olhar...
Mas de fato é exagerado, assim, como também, o bem que me causa te ver...

E não, ainda não senti o sabor de sua boca...
E quem me dera ter também essa saudade pra sofrer...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Sem Título (ou a falta que faz uma boa dose de esperteza)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010 2
Tomo um gole desse copo estranho,
que invade a gargante,
dilata as veias e me tira o sono.

Tomo uns desses xeque-mates do destino.
Com os olhos cruzados
e a boca ainda ardendo.

E nesse copo maldito,
tem todas as mãos que vieram ao meu
corpo.
De todas elas... as que se entregaram.

Das moças sem nome,
das divinas e puras e
até das putas com codinome.

Nelas perdi meus melhores minutos
Minhas mais sinceras gotas de suor
Meus pensamentos mais putos
Minhas idéias mais loucas

Nas saudades delas me perdi nas noites
Reclamando, como quem tem razão
Que de mim mal lembravam...

Sentado pelos bares, com o copo a mão
Tomo outro gole... e nem me lembro mais,
Se contei a tal história de todas elas...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Noites Vadias

segunda-feira, 22 de novembro de 2010 1
5 cervejas, 20 cervejas
Quantas cervejas pra me redimir
Se os conselhos já não posso ouvir
Quantas pernas ainda posso perder?

Quantas pernas quentes podem me abraçar
Em noites que o mundo me joga ao chão
E a face de todas elas é pouco pra me parar
Mesmo se ouço a voz de todas elas... minha resposta é não!

Eu gosto de todas elas, e amei todas elas
Mesmo que num segundo perdido
Ainda assim, confuso, fui delas
Enquanto seus suspiros foram meus

Nas perdidas noites entre amarulas e absintos
Onde fui seu em cada centimetro
Tirano de seus mais loucos gemidos
Cativo de todas suas vontades

Me assusta saber, que adorme em outros braços
Sentes outros gostos, morde outras carnes
Se perde entre sussuros, conhece outros abraços
Mas no laranja que esplode nas noites
Eu lembro dela! E no mesmo gesto, sei que pensa em mim

E nas suas mais loucas aventuras
Sou eu o homem de suas histórias
Por mais que finja loucura
É o meu nome calado que quase sai de sua boca

domingo, 21 de novembro de 2010

Velhos Ladrilhos Coloridos

domingo, 21 de novembro de 2010 0
Ladrilhos me lembram infância
ou tarde na praia.
Por vezes anos 20.
Quem sabe um amor corroído pelas traças

Ladrilhos molhados e coloridos
Me lembram os sorrisos que costumavamos dar
Quando as noites eram pra deitar
E os dias bem menos corridos

Ladrilhos coloridos e brilhando
Na calçada e no quintal
Me lembro dos mais velhos conversando
Reclamando dessa vida tão normal...

Ladrilhos coloridos
me lembram teus ângulos secretos.
Teu ventre ébrio
e tua pele molhada

Ladrilhos coloridos
é fanta de garrafa
joelhos ralados
e um riso em sua cara

As lembranças dos velhos ladrilhos coloridos
Que amanheciam e via as cores do tempo a passar
E sentia o vento levando os tais sorrisos
Ouvindo ao longe minha voz de criança a me chamar...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Passando...

terça-feira, 26 de outubro de 2010 1
Já é hora... vá, desista dos sonhos...
O tempo passou, o que você quer ser?
Não há mais tempo para ingenuos tontos
A idade cobra, achou que poderia correr?

Não adianta desviar seu olhar
São palavras pra você!
Fingindo juventude no espelho
Está cego pras marcas do tempo a passar?

O que já fez? O que ainda falta fazer?
Jogou suas ideologias no cinismo...
Perdeu heróis, perdeu vontade...
O que ainda falta perder?

Trocou os sonhos pelo passar do dia
Pelos minutos, curtos, em que pôde sorrir
Deixou pra traz aquelas verdades eternas
Será que já acreditou de fato nelas?

Olhe as fotos e permita-se sorrir
Das certezas que já teve
Que esvaziaram-se no meio do trânsito
Nos dias longos de trabalho...

Mas... Há a esperança que dança comigo
Que não me deixa sozinho no espelho
Que me lavanta e me tira um sorriso
Maldita esperança que ainda me faz respirar

Das certezas do dia, das dúvidas da noite
Entre os copos na calçada, fingindo dignidade
Entre os corpos nas noites, sendo eterno
Acordando pra vida... querendo amar...

Onde está você? Ideal jovem que tive, que fui...
Já é hora de dizer, sem pesar...
Eu morri... pros sonhos que cultivei
Pra viver inteiro, sem ressentimentos
A realidade com a qual posso lidar

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Existe um lugar para se morrer

quarta-feira, 20 de outubro de 2010 1
Eu comi um lanche velho e gorduroso
revesti meu estômago com uma pinga envelhecida
em estantes empoeiradas e garrafas milenares.

Meus olhos travam na dança de putas
que se perderam nos dias e no requinte da sujeira
No embalo de uma Jukebox
que insiste em tocar hits Paraenses.

Pensei num modo voraz,
de descrever as vadias,
de alertar as crianças.

Pensei por dias, por anos,
como descrever aquele lugar.
Aquele sujo lugar esquecido, numa esquina qualquer.

Que ainda vive, com os mesmo detestáveis,
com as mesmas putas e a mesma pizza de gosto ruim.
Com os sonhos que se revezam em fichas de caça-niqueis.

Ali, nos copos cristalinos de uma pinga qualquer
ou num espumante colarinho de cerveja,
vi as histórias nascerem,
Malatesta se calar.
Lênin tremer.

Risos juvenis atravessaram as madrugadas,
naquela esquina acolhedora de vagabundos e sem destinos
palavras engolidas ficaram frequentes,
na garganta de quem já aceita muita coisa.

No pó escondido no bolso,
do bêbado de olhar profundo.
Se misturaram.

Daí surgiu os ingredientes, a platéia, os figurantes
das aventuras que se renovam.

E temo dizer, que a idade nos abraça.
Como a esquina que engole cada ser que flutua
sem atenção numa noite em que seres sabidos
dormem em suas camas quentes.

Fugir é o certo
e ser jurado de morte nesse lugar terrível é um erro
em que correr nem sempre vale a pena.
 
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