domingo, 24 de abril de 2011

Eu queria jogar fora seu sorriso

domingo, 24 de abril de 2011 0
Brilha, brilha o fogo que me queima
Castiga! A azia e a dor que desnorteia
Mentira... o fogo e a vida descem a ladeira

Saudades, do calor da flor que me odeia
Na verdade não há mais nada que me incendeia
A não ser o fogo que me toca o fogo que me beija

Desperdício, me desperdiço, me quebro
Sou pouco, sou cinza... um calor que se esvai

Queria torrar meus pensamentos amorosos
No calor que deixou acesso no meu peito
Eu queria jogar fora seu sorriso

Quero... desejo
Eu não posso!

Ouço o barulho vago do gás
Respirar...
Respirar...
Falecer!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Olhos e pele branca

sexta-feira, 22 de abril de 2011 0
Olhos e pele branca... branca flor que sorri
Olhos em que me perco, e me perco feliz
Na dor de não lhe ter e, sei lá, se vc me vê
Nos eternos caminhos errados de nunca saber

Me arrisco e me jogo, grito pra você me olhar?
Ou vou aos poucos, jogando, esperando tu perceber?
Não há certo se o que sinto nem me permite raciocinar
E nem errado se o que quero se resume a você...

No balançar do seu cabelo espero a vida me levar
Me tira do centro, concentração que vai embora...
Não sei se o cabelo ou a nuca que me faz sonhar
Sei que meus olhos ao te ver são os olhos de quem adora.

Assino ou não assino o que quero lhe contar?
Sobre a pele branca coberta de roupas sempre escuras
E passam horas do meu dia e vou sorrir do seu all star
Imaginando se um dia será minha essa felicidade pura...

terça-feira, 19 de abril de 2011

A noite que leva

terça-feira, 19 de abril de 2011 4
Com pompa e satisfação
A noite vem e anuncia:
É proxima a hora que os dêmonios chegarão.

A noite dilacera
e o câncer toma meus dedos,
os pulsos, caem os cabelos.

Já não sou eu no espelho...
Não, já não sou.
Segurando o braço da noite.

Que arrasta esse moribundo,
com as unhas de descuido
e a pele suja que essa morte me deixou.

E não tinha anjos pra salvar
E acho que nem queria ser salvo
De nada me valeria um ser sem sexo

Meio inocente pagando pecado alheio,
meio idiota levado na maré.
Será que tem culpa quem não sabe o que quer?

Ela diz que foi erro,
desespero.
Ela diz tanta coisa...

E logo ela que criticava a vaidade de outra.
Se enrolou tanto...
Que não importa mesmo o que diabos ela falou.

Fiquei triste, junto aos meus dêmonios,
por ver ela ir, com seus erros,
palavras e sua inútil vaidade.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Gosto de cigarro

segunda-feira, 18 de abril de 2011 1

Gosto de cigarro from Thiago Hernandez on Vimeo.



* Só pra constar

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Esse é o relato mais triste que já se ouviu falar.

sexta-feira, 15 de abril de 2011 0
Eu nunca fui bom em previsões, sou desatento demais pra isso. Sou um desses avoados, como diz minha vizinha. Mas já faz umas semanas que sinto algo estranho, me sinto mais deslocado que o normal. Ela me beija e foge dos meus olhos, ainda assim diz que me ama, mas não sei. Esses tempos, são de mudança, de escritórios friorentos e coxinha no almoço. E ela, diz que me ama.

Esses tempos estou averso aos amigos, ao chefe, a ela e a mim mesmo, pois fiquei desconfiado demais, solitário demais. Acho que tinha um pouco das previsões, que de subito iam me atacar, dessa vez eu senti bem na goela, e ficou entalada. Ah meu amor, as minhas previsões dessa vez foram um tiro, foda-se o alvo. Um tiro.

E hoje quando subi aquela rua, na quase uma hora de espera eu fiquei pensando num jeito de escarrar esse troço, que agora eu chamo de previsões. Subi a rua num tom de despedida, tive a certeza que seria o fim, lembrei das histórias que tive naquela rua, muito antes dela voltar.

Daí senti saudade, quando era um sujeito meio Kerouac sem Cassady, ou quando era os dois juntos, pensei nas vezes que flutuei nessa rua bêbado, quando fui roubado nela e quando eu que roubei. Essa mesma rua que moram as garotas da faculdade ao lado, a rua que elas vão pro bar e robotizam tudo pra não perder o penteado. Continuo um tanto inconsequente, mas a idade me deu uma certa sobriedade pra sacar que isso passa, como as garotas no bar, como essa rua, que hoje, tive a certeza que nunca mais vou ver.

É assim com um tanto de gente, tem as que nunca mais voltam, tem as que somem e desaparecem. Como as ruas que a gente vira a toda hora, sobe, desliza. Tem as placas sem nome, as esquecidas e as sem saída.

Estou averso a esse monte de falácia.

Dessa vez eu disse adeus, pude entender que as coisas tem um fim. Que a gente muda depressa, a idade não nos abateu tanto assim, amanhã a gente muda de opinião, de roupa, muda os sonhos e inclinação politica. Não, isso nada tem a ver com fugacidade, só sangue, desespero de quem acha que a vida pode sumir mais rápido que a gente dê conta.

Já virei pra outra rua, seu nome? nem me importo.

Adeus.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Uma menina suja e bem vestida

quinta-feira, 14 de abril de 2011 0
Noite fria de São Paulo
Maldita São Paulo estéril
Onde mentiras são contadas
Onde verdades são mentidas

A suja e linda São Paulo megera
Dos becos e dos viciados zumbis
Que alucinados brigam pela última pedra
Tragando a morte pra ser um segundo feliz

Dicotômica cidade de felicidade a ruir
Dos bares lotados de sorrisos
Dos shoppings, templos pra se consumir
Das putas sujas e seus perigos

Da noite livre onde manda a grana
Dos carros cinzas de vidros fechados
Dos moleques, pelas ruas, que ela ama
Que roubam, sorrindo, os carros parados

Onde o balcão do bar vira teatro
E bêbados falantes são atores
De uma peça onde não há errado
E esses bêbados fracassados são senhores

A São Paulo da noite fria
Fria São Paulo que finge não ver
Que em suas periferias se faz a sangria
Do povo que faz a cidade acontecer

Perfeita São Paulo que olho com horror
Uma menina suja e bem vestida
Que não desfruta da paz merecida
Mas vê no peito de todos seu amor

Amor tão profano por uma mãe que desejo
Que despedaça nas calçadas sujas do medo

Despertando com o frio da goroa suja
De um sonho onde minha alma arrependida era sua

quarta-feira, 13 de abril de 2011

C(h)eia de Dentes

quarta-feira, 13 de abril de 2011 0
Todos rodeiam a ceia.
Com dentes a mostra,
meio corcundas e ariscos.

Todos rodeiam a ceia.
Como hienas.
Sorrateiros.

As moças e seus olhares inocentes,
os homens e seus musculos relaxados.
Todos imersos em seus erros,
encobertos com suas sujeiras.

Já esperam o pior das suas companhias.
Exalam veneno e enchem a cara.

Escorpiões estrangeiros preparam o seu rabo
em serpentários malignos
Como travestis prontos a atacar

Segurando suas esperanças, seu amor
Já que não há nada mais que se possa perdoar
Mentiras são, mentira é.

As meninas perdidas em absintos
Sentidas meninas sem pudor
Caçando, sôfregas, a redenção

Com seus homens soltos pelas ruas
Porcos homens otários sem saber
Para onde corre seu desejo, seu prazer

E na velha ceia pintada na parede
De uma velha igreja longe daqui
Onde santos sentavam-se a mesa
Havia já um traidor a sorrir

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Perfume... de mulher

quinta-feira, 7 de abril de 2011 0
Tem essas memórias, adormecidas.
Que explodem em cada nuance,
das minhas destreinadas narinas.

Fico em transe, in vitro.

Nesse instante fico fraco.
Analfabeto.
Poeta.

Aos poucos a vista volta,
os sentidos acendem.

Toda vez que isso acontece
eu fico mais certo.

se um dia escrever algo decente sobre perfume de mulher,
é hora de levarem minha consciência, meus ossos,
o juízo que me resta ou até minha alma.

Se um dia escrever algo decente sobre perfume de mulher.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Cinzas que falam

quarta-feira, 6 de abril de 2011 0
Brilha, brilha o fogo que me queima
Castiga, a asia e a dor que desnorteia
Mentira, fogo e vida descem a ladeira

Saudades, do calor da flor que me odeia
Na verdade não há mais nada que me incendeia
A não ser o fogo que me toca e me beija

Desperdício, me desperdiço... me quebro
Sou pouco, sou cinza, calor que se esvai

Queria torrar meus pensamentos amorosos
No fogo que deixou acesso no meu peito
Queria jogar fora seu sorriso

Quero, desejo... não posso
Ouço o barulho vago do gás
Respirar... respirar... falecer...

terça-feira, 5 de abril de 2011

A noite vem...

terça-feira, 5 de abril de 2011 0
Vem a noite do abraço frio
Vem a noite, a noite que me partiu

Com seus olhos viciados,
de vidros velhos e trincados.

Vem a noite, a noite louca
Que fedendo a cigarro me beija a boca

Que me esconde em sofás sujos,
Com cheiro de sexo, imundos

Vem a noite, não quero saber
Se tudo der certo, vou me foder

Pra rastejar entre as vielas,
E quase decrépito procuro suas pernas

Vem a noite, a noite vem
E no fim da noite ninguém tem ninguém

Nessa noite longa, onde todo sim foi não
Quem foi esperto não esperou nenhuma salvação.

Vem a noite, a noite livre
E quando a noite acaba ninguém mais vive...

quarta-feira, 30 de março de 2011

A rua me chama...

quarta-feira, 30 de março de 2011 0
E sim, veio de novo a feliz sexta-feira
E não, estou em casa... e a rua não me chama
E nos derradeiros dias vivendo a minha maneira
Espero ter nesse dia a doce calma de quem ama

Mas não! Vá se foder essa preguiça justificada
Quero sair, quero viver, andar sobre minha história
Não vou chorar, já velho, por uma vida tão parada
E por isso vou sair, e vou seguir a minha via

É, a rua parece minha parceira
Fagueira rua que me chama de amor
Essa rua tão amiga que vira até ladeira
Em que um bêbado como eu nem sente sua dor

Estou passando, já é hora, devo parar
Velhos cabelos que caem pelo chão
Espero o dia de ficar cansando e voar
Chorando pelo amor que senti e foi em vão...

quinta-feira, 24 de março de 2011

Amor

quinta-feira, 24 de março de 2011 0
O amor é como um balsamo que te cega
É algo que de tão bom é quase ruim e te quebra
É como um monstro doce que te agarra e te pega
Uma mentira que se conta sorrindo, achando que há verdade nela

É algo que nos completa, tirando tudo que temos
E pensamos saber, o que de fato não sabemos
Idiotas, achamos poder dominá-lo, e não ele a nós
Imaturos, achamos poder seqüestrá-lo, e não ele a nós

Atroz dor que não para e nem dói
Maldita alegria, que de tão boa não vinga
Dorzinha chata e boa na boca do estômago
Cada vez que vejo aquele anjo que caminha

Será verdade aquela dor que desatina?
Será que sei mesmo o que é amar?
Sei sim e posso dizer com certeza meu Senhor
Não há no mundo além de mim, quem mereça mais o meu amor
 
prascucuias. Design by Pocket