sábado, 7 de maio de 2011

A riqueza entre dois dedos

sábado, 7 de maio de 2011 1
Já fui dono de uma rua
De umas historias
De algumas putas

Já fui dono de mim mesmo
De umas moedas,
E uma vez me convenci
Que já fui dono do vento

Certa vez botei um cercado
Trouxe amigos, fiz escrituras
E no fim chamei de meu.

Mas só me dei conta que era rico
Quando vc disse que era minha
Que sua boca era unica
E seu ventre meu retiro.

Lanche de Pernil

A bola corre, se bate na bola
Bate mais forte meu coração
A bola decide, a bola que rola
Quase matando de angústia a multidão

Corre o menino, sorrindo ele corre
Atrás do seu sonho, chutando a ilusão
Se chuta no canto, no cantinho ela morre
Explode o estádio de emoção

Grita a torcida, cantando ela joga
Longe ou perto, não torce em vão
Se perdem choram, por vitória se roga
Tão triste, tão pouco, se perde a razão

Futebol é amor, amor não se explica
Não se explica o que só se pode sentir
Me diz há algum sentido nas lágrimas na grama?
E me diz, existe algo mais belo?

Da corrida ao gol... do gol ao mundo
É meio bobo, mas é profundo
O grito e o sentimento despertado
Pelo gol e pelo estádio lotado!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Mil anos adormecido

sexta-feira, 6 de maio de 2011 0
Esperar é um fio maldito.
Que a gente se esquilibra.
Com medo de andar,
com medo de cair.

Esperar é um cálice de raiva.
Que os nossos nervos nunca estarão prontos
[pra esse choque]

Esperar é uma névoa 
ou um trem sem destino
Lotado e cheio e quente.

Esperar não é um prato,
Mas a gente engole com frieza.

Qual é o nome?

É calma e escuro
E molhado e bom
E nem calmo ele é!

Quase um soco na cara
Quase tudo e mais nada
Sai o suco do suor que causou

De o nome que quiser
Não preciso do nome
Faça de fato o quanto puder

Sigo o faro do fato
Que sem isso sou fraco
Um pobre coitado qualquer

E se a vida for longa
E isso eu não puder ter
Digo sem excitar:
Que prefiro morrer!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Calendários e Feriados em Camburi

quinta-feira, 5 de maio de 2011 0
Era um dia, mais um dia qualquer
Que passava pela janela semi-aberta
Num prédio esquecido de uma rua a esquerda

Com desejo ela olhava o calendário na parede
Aquela imagem de uma praia desconhecida
Que permeava seus sonhos, esvaziava sua vida

Era papel de parede no seu desktop
E entre alt/tabs sempre ela via
A intocada, sua praia perdida

No metrô, nos comerciais de tv
Procura encontrar a imagem que fascina
E no quarto do velho prédio sonhava sozinha

Que segredos procura guardar?
Olhando fixamente a imagem parada do mar?
Quis tanto o fim nas areias, o que esperar?

Era quinta, outra quinta qualquer
Seu destino mudou, mudou sua vida
Espera o ônibus, procura sua saída

Descer a serra, ver o mar, sumir
Entre as areias desconhecidas
Desejar com medo se destruir

Ela queria sua praia, viver
E nas areias molhadas de Camburi
Pobre menina, quase nada pôde fazer

Acabou o feriado, e a imagem está lá
Ainda permeando seus sonhos dourados...

Sua vida é uma espera, quem sabe tem fim...
Um fim onde todas as horas são dela,
E os tais dias úteis são dias de fugir

Escondam suas bandeiras

Ei! Bravos e Bravas.
Escondam suas bandeiras,
suas máximas.

Façam uso da navalha,
com a destreza de um madame satã.
Escolha o modo,
afeminado ou um viking retardado.

Não importa,
Só afie a navalha,
junte meias limpas e novas toalhas.

A nossa face já não aceita essa pensão
programada, dizimada.
Herdada na nossa tão esquecida história.

Me junto aos que enchem garrafas de gasolina nos quintais,
nas redações de trincheira que emitem frequências dessa revolução.
[silenciosa]

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Escuro Demais (Tentativas de novos temas)

quarta-feira, 4 de maio de 2011 5
Era escuro demais pra ti e pra sua pele branca e seus olhos iluminados...
Era tempo demais pra mim, que tenho vivido demais e me jogar tem sido parte do jogo
E ver você, no escuro perdida, é assistir ao fim chegando logo...

Acho que era noite demais pra ti, com toda aquela música e confusão
O tempo era passado nos passos da música e na música em si...
É uma brisa de ontem que esbofeteia meu rosto, e sacode teu corpo

Procurava seu toque, como procura a terra o naufrago
Mas você disse que era noite demais pra ti, que era hora de partir
Não te pedi pra ficar, palavras nunca bastam, queria seu afago

E era noite demais pra mim quando você se foi
Ficar era a pior opção que tinha
E te seguir era correr atrás de sofrer

Entre ficar e partir, entre amar e desistir...
Eu não fiquei nem te segui, outro caminho vi passar
E no balanço de outros mundos eu parti

Mas ainda tem essas noites onde o meu amigo é o copo de conhaque!
E o meu flerte é com outra garrafa de cerveja,
E você o melhor dentre os motivos pra blindar...

Aqueles olhos

e teus olhos.
um tanto negros
um tanto eufóricos.

Congelaram.

E fui embora com a certeza
que nunca irei remediá-los.

terça-feira, 3 de maio de 2011

on/off

terça-feira, 3 de maio de 2011 3
A TV ligada mostra um filme inútil,
a cama treme no nosso último ritmo.
As paredes viram sulfites coloridas.

Ela grita, acorda os vizinhos.
Eu perco a cabeça e nem me importo mais.
Ela geme e solta uns palavrões.

O quarto úmido congela os segundos,
a sua testa franzida é meu monumento.

A TV desligada reflete imagens assombrosas.
Escondo na cama meus pensamentos maldosos.
As paredes desmancham como papéis molhados.

Ela corre e ri e morre...
em outros braços.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Solário, ratos, baratas e ouvidos destreinados.

segunda-feira, 2 de maio de 2011 1
Esses dias ouvi falar sobre ratos e baratas,
Esses dias eu li algo sobre sobreviver.

Botei o relógio pra tocar na mesma hora
e acordar nú, trépido e faminto.

Esses dias foram de frio, com o Sol gritando.
Outra ironia que gela os dedos e o peito.

Esses tempos eu vi morrer,
as palavras, a minha sede, as crenças e os sonhos.

Esses tempos vi de perto os olhares mortos de meia idade
e junto deles somei, sumi.

Esses dias o suspiro amorfo veio junto do sono.
Os ossos se renderam na cama fria.

Mas hoje eu ouvi dizerem sobre ratos e baratas.
Hoje eu li algo sobre sobreviver.

Foi assim que percebi, que só precisa coragem pra continuar.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Amor de muito longe

sexta-feira, 29 de abril de 2011 1
Hoje senti saudades dos meus versos proféticos,
Deve ser as férias longas ou a idade destruidora [que afastam as minhas certezas]

Hoje senti saudades das minhas verdades,
As cegas e as possíveis.

Senti saudades das mesas
e quando a gente ria sem se preocupar.

As garrafas se acumulam na sala.
As roupas suadas exalam o cheiro nativo do álcool
E de um amor que se perdeu em algum lugar.

Arco e flecha aos querubins

você queria um bilhete
E eu atrás de um alívio.
Você queria atenção
E eu estar bem longe.
 
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